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NOTÍCIAS DA IGREJA CATÓLICA

Semana Nacional da Família

Publicado em 16/08/2013 no canal Colunistas

A Igreja Católica no Brasil celebra a sua Semana Nacional da Família, iniciativa feliz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, animada pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família. A cada ano, a Semana da Família começa com a comemoração do Dia dos Pais, no segundo domingo de agosto, estendendo-se por toda a semana, quando somos convidados a refletir sobre um tema. Desta vez foi proposto: “Transmissão e Educação da Fé Cristã na Família”.

O Papa Francisco, em sua especial mensagem para esta semana, relembrando a sua visita pastoral à nossa amada cidade do Rio de Janeiro, em virtude da 28ª Jornada Mundial da Juventude, assinala que: “Guardando vivas no coração as alegrias que me foram proporcionadas durante a recente visita ao Brasil, me sinto feliz em saudá-los por ocasião da Semana Nacional da Família, cujo tema é “A transmissão e a educação da fé cristã na família”, encorajando os pais nessa nobre e exigente missão que possuem de ser os primeiros colaboradores de Deus na orientação fundamental da existência e a segurança de um bom futuro. Para isso, “é importante que os pais cultivem as práticas comuns de fé na família, que acompanhem o amadurecimento de fé dos filhos” (Carta Enc. Lúmem Fidei, 53)”.

O Sumo Pontífice também reafirmou o compromisso da defesa da vida desde a concepção, ao afirmar em sua mensagem pontifícia que: “De modo particular, diante da cultura do descartável, que relativiza o valor da vida humana, os pais são chamados a transmitir aos seus filhos a consciência de que esta deva sempre ser defendida, já desde o ventre materno, reconhecendo ali um dom de Deus e garantia do futuro da humanidade, mas também na atenção aos mais velhos, especialmente aos avós, que são a memória viva de um povo e transmissores da sabedoria da vida”.

O Papa Emérito Bento XVI, falando à Diocese de Roma, disse sobre os pais e filhos, oportunamente que: “Também na procriação dos filhos o matrimônio reflete seu modelo divino, o amor de Deus pelo homem. No homem e na mulher, a paternidade e a maternidade, como sucede com o corpo e com o amor, não se circunscrevem ao aspecto biológico: a vida só se dá totalmente quando com o nascimento se oferecem também o amor e o sentido que fazem possível dizer “sim” a esta vida. Precisamente por isso, fica claro até que ponto é contrário ao amor humano, à vocação profunda do homem e da mulher, o fechar sistematicamente a própria união ao dom da vida e, ainda mais, suprimir ou manipular a vida que nasce”.

A família cristã, Igreja doméstica, participa da importante missão de transmissão e educação da fé aos seus filhos e netos. A família tem como primeiros e principais destinatários desse anúncio missionário os seus filhos e familiares. Tivemos muitos exemplos de santos casais que transmitiram a fé aos filhos e filhas que, por sua vez, também se santificaram. O principal apostolado missionário dos pais deve realizar-se em sua própria família, pois seria uma desordem e um contratestemunho pretender evangelizar a outros, descuidando da evangelização dos nossos familiares. Os pais transmitem a fé aos seus filhos com o testemunho de sua vida cristã e com sua palavra. O núcleo central dessa educação na fé é o anúncio gozoso e vibrante de Cristo, morto e ressuscitado por nossos pecados. Em íntima conexão com este núcleo se encontram as outras verdades contidas no Credo dos Apóstolos, nos Sacramentos e nos Mandamentos do decálogo. As virtudes humanas e cristãs fazem parte da educação integral da fé.

A família tem hoje a inevitável tarefa de transmitir aos seus filhos a verdade sobre o homem. Em nossos dias é de capital importância conhecer e compreender a primeira página do Gênesis: existe um Deus pessoal e bom, que criou o homem e a mulher com igual dignidade, mas diferentes e complementares entre si, e deu-lhes a missão de gerar filhos mediante a união indissolúvel de ambos em “una caro”, ou seja, uma só carne (matrimônio). Os textos bíblicos narram a criação do homem, evidenciando que o casal homem-mulher é – segundo o desígnio de Deus – a primeira expressão da comunhão de pessoas, pois Eva é criada semelhante a Adão como aquela que, em sua alteridade, o completa (cf. Gn 2, 18) para formar com ele uma só carne (cf. Gn 2, 24). Ao mesmo tempo, ambos têm a missão procriadora que os faz colaboradores do Criador (cf. Gn 1, 28). Esta verdade sobre o homem e sobre o matrimônio tem sido conhecida também pela reta razão humana.

A família é a melhor escola para criar duradouras relações comunitárias e fraternas, frente às atuais tendências individualistas. Por isso, o amor – que é a alma da família em todas as suas dimensões – só é possível se houver entrega sincera de si mesmo aos outros. Amar significa dar e receber o que não se pode comprar nem vender, mas só presentear livre e reciprocamente. Graças ao amor, cada membro da família é reconhecido, aceito e respeitado em sua dignidade. Do amor nascem relações vividas como entrega gratuita, e surgem relações desinteressadas e de solidariedade profunda. Como a experiência o demonstra, a família constrói a cada dia uma rede de relações interpessoais e prepara para viver em sociedade em um clima de respeito, justiça e verdadeiro diálogo. A família ajuda a descobrir o valor social dos bens que se possuem. Uma mesa, na qual todos compartilham os mesmos alimentos, adaptados à saúde e à idade dos membros, é um exemplo simples, mas muito eficaz, para se descobrir o sentido social dos bens criados. A criança vai incorporando, assim, critérios e atitudes que a ajudarão mais adiante nessa outra família mais ampla, que é a sociedade.

A família tem um papel fundamental a desempenhar, já que é a unidade básica da sociedade e da Igreja. Nesse momento de mudança de época, urge uma atenção especial que tem de ser dada no presente momento aos bens religiosos, morais e sociais de fidelidade, igualdade e respeito mútuo entre marido e esposa, na defesa da família e na transmissão da fé.

Que nossas famílias transmitam os verdadeiros valores do Evangelho de Jesus e vivam a permanente vivência da Palavra de Deus pelos sacramentos e pelas ações sacramentais. Abençoa, Senhor, as nossas famílias!


Dom Orani João Tempesta

Por Dom Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Realizou seus estudos em São Paulo (SP), na Faculdade de Filosofia no Mosteiro de São Bento e no Instituto Teológico Pio XI, dos religiosos salesianos.